Moradores de Engenheiro Beltrão têm relatado uma situação preocupante: a dificuldade — e em alguns casos a impossibilidade — de acesso ao transporte para tratamentos de saúde.
📹 Moradora de Engenheiro Beltrão (PR) denuncia, em vídeo, a falta de transporte para pacientes em tratamento de saúde no município.
A principal reclamação parte de idosos e pacientes em reabilitação, que estão deixando de comparecer às sessões de fisioterapia por falta de transporte até as clínicas. Muitos residem em bairros afastados e não possuem veículo próprio, enquanto suas famílias, na maioria dos casos, também não têm condições financeiras de arcar com transporte particular. A situação é resumida de forma direta por um morador: sem transporte, não há tratamento.
O problema se torna ainda mais grave porque o transporte para atendimento de saúde não é um benefício facultativo, mas um direito garantido pela Constituição Federal. Normas do Sistema Único de Saúde (SUS), como a Portaria nº 55/1999 e a Resolução CIT nº 13/2017, estabelecem que o poder público deve assegurar o deslocamento de pacientes para consultas com especialistas, realização de exames, sessões de fisioterapia e tratamentos realizados fora do município. Na prática, quando o paciente não possui meios de locomoção, o transporte passa a integrar o próprio tratamento de saúde.
Outro fator que gera questionamentos entre os moradores é o fato de que o município teve sua frota recentemente reforçada. Em uma única ocasião, foram recebidos oito veículos zero quilômetro, destinados justamente ao atendimento da população. Ainda assim, relatos apontam que o serviço de transporte de pacientes diminuiu de forma significativa nos últimos meses.
Nos bastidores, circulam informações de que a prefeitura enfrentaria dificuldades para custear combustível, o que teria contribuído para a redução do serviço. Essa justificativa, no entanto, aumenta a insatisfação popular, especialmente diante de dados de arrecadação municipal amplamente conhecidos. Estima-se que o município tenha arrecadado cerca de R$ 13,5 milhões em ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), recurso de natureza livre, sem vinculação obrigatória, que pode ser utilizado conforme a gestão administrativa.
Diante desse cenário, a população questiona por que há falta de transporte justamente para pacientes que necessitam de tratamento de saúde. A insatisfação cresce, pois a situação deixa de ser apenas administrativa e passa a impactar diretamente a dignidade das pessoas. Sem acesso ao transporte, pacientes interrompem tratamentos, idosos perdem processos de reabilitação e doenças podem se agravar, transformando um direito básico em um obstáculo cotidiano.
Especialistas destacam que o transporte sanitário não pode ser tratado como despesa secundária, pois integra a própria política pública de saúde. Quando o acesso ao tratamento é comprometido, o problema deixa de ser individual e assume caráter estrutural, afetando toda a rede de atendimento.
Mais do que uma questão de números ou logística, o debate envolve prioridades. De um lado, está a população que depende do serviço público para cuidar da própria saúde; do outro, surgem questionamentos sobre gestão, aplicação de recursos e decisões administrativas. Enquanto isso, pacientes seguem aguardando não apenas pelo atendimento, mas pelas condições mínimas para conseguir chegar até ele.
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