Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de doenças respiratórias, especialistas explicam como identificar os sinais de cada infecção e reforçam a importância da prevenção

A queda das temperaturas traz consigo um cenário já conhecido pelos brasileiros: o aumento dos casos de doenças respiratórias. Tosses, espirros, dores de garganta, coriza e febre passam a fazer parte da rotina de muitas famílias, mas nem sempre é fácil identificar qual infecção está por trás desses sintomas. Entre as dúvidas mais comuns está a diferença entre resfriado, gripe e Covid-19, doenças que compartilham diversas características, mas que apresentam comportamentos distintos e exigem atenção.
Segundo especialistas ouvidos por O Globo em reportagem publicada nesta semana, embora os sintomas possam ser parecidos em um primeiro momento, alguns sinais ajudam a diferenciar cada quadro clínico e podem indicar quando é necessário procurar atendimento médico.
Sintomas parecidos, doenças diferentes
O resfriado continua sendo uma das infecções respiratórias mais frequentes, principalmente durante os períodos mais frios do ano. Geralmente provocado por diferentes tipos de vírus, ele costuma surgir de forma gradual. É comum que os primeiros sinais sejam uma leve irritação na garganta, seguida por espirros, congestão nasal e coriza. Na maioria dos casos, o desconforto permanece concentrado nas vias respiratórias superiores, sem comprometer significativamente o estado geral do paciente.
Por esse motivo, pessoas resfriadas normalmente conseguem manter boa parte de suas atividades diárias, apesar dos incômodos. A febre, quando aparece, costuma ser baixa e de curta duração, enquanto as dores no corpo geralmente são discretas ou inexistentes.
A gripe, por outro lado, costuma se manifestar de maneira mais agressiva. Diferentemente do resfriado, os sintomas geralmente aparecem de forma repentina e intensa. Muitas pessoas relatam que conseguem identificar exatamente o momento em que começaram a se sentir doentes.
Nesses casos, a febre costuma ser mais elevada e pode vir acompanhada de calafrios, dores musculares intensas, dor de cabeça, cansaço extremo e uma sensação generalizada de indisposição. O impacto da doença sobre o organismo é significativamente maior, fazendo com que o paciente necessite de repouso e interrompa suas atividades habituais por alguns dias.
Já a Covid-19 segue circulando e continua representando um desafio para o diagnóstico clínico, especialmente porque os sintomas das variantes mais recentes podem se assemelhar bastante aos observados em outras infecções respiratórias. Dor de garganta, coriza, tosse, febre e fadiga estão entre as manifestações mais frequentes.
Apesar disso, especialistas alertam que a Covid apresenta um comportamento mais variável. Enquanto algumas pessoas desenvolvem apenas sintomas leves, outras podem enfrentar complicações respiratórias mais importantes. Em alguns casos, ainda podem ocorrer alterações no olfato e no paladar, sintomas que se tornaram uma das marcas registradas da doença durante a pandemia.
A intensidade dos sintomas costuma ser um dos principais indicativos
Embora não exista uma regra absoluta para diferenciar as três doenças apenas pela observação dos sintomas, médicos explicam que a intensidade do quadro clínico costuma oferecer pistas importantes.
Enquanto o resfriado normalmente provoca desconfortos localizados principalmente no nariz e na garganta, a gripe tende a afetar todo o organismo, gerando dores musculares, fadiga intensa e febre alta. A Covid-19 pode apresentar características de ambos os quadros, tornando muitas vezes necessária a realização de testes para confirmação do diagnóstico.
Outro fator relevante é a duração dos sintomas. Os resfriados geralmente apresentam evolução mais curta e melhora progressiva em poucos dias. A gripe pode exigir um período maior de recuperação devido ao impacto causado pelo vírus Influenza no organismo. Já a Covid-19 apresenta comportamento variável e, em alguns pacientes, determinados sintomas podem persistir por semanas após a infecção inicial.
Grupos de risco merecem atenção especial
Independentemente da doença, especialistas destacam que alguns grupos exigem cuidados redobrados. Idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, problemas cardíacos ou doenças respiratórias, apresentam maior risco de desenvolver complicações.
Nesses pacientes, uma infecção inicialmente considerada simples pode evoluir para quadros mais graves, incluindo pneumonias e insuficiência respiratória. Por isso, o acompanhamento médico torna-se ainda mais importante quando os sintomas se mostram persistentes ou apresentam piora progressiva.
Quando procurar atendimento médico
Embora a maioria dos casos de resfriado, gripe e Covid-19 apresente recuperação satisfatória com repouso e hidratação adequada, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica.
Falta de ar, dificuldade para respirar, dor no peito, febre persistente por vários dias, sonolência excessiva, confusão mental ou piora repentina dos sintomas são considerados sinais de alerta. Nessas situações, a recomendação é procurar assistência médica o mais rápido possível.
Também é importante evitar a automedicação. O uso inadequado de medicamentos pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico correto e até mesmo provocar efeitos adversos.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Mesmo após os anos mais críticos da pandemia, especialistas reforçam que as medidas preventivas continuam sendo fundamentais para reduzir a circulação de vírus respiratórios.
A higienização frequente das mãos, a manutenção de ambientes bem ventilados, a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar e o afastamento temporário quando houver sintomas são atitudes que ajudam a diminuir o risco de transmissão.
Além disso, a vacinação permanece como uma das ferramentas mais importantes de proteção. As campanhas anuais contra a gripe e as doses de reforço contra a Covid-19 continuam sendo recomendadas pelas autoridades de saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis.
Com a chegada do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, compreender as diferenças entre resfriado, gripe e Covid-19 pode contribuir para um diagnóstico mais rápido, um tratamento adequado e a redução do risco de complicações. Mais do que identificar sintomas, a orientação dos especialistas é clara: diante de qualquer sinal de agravamento, buscar ajuda médica continua sendo a decisão mais segura.
Fonte: Reportagem publicada pelo jornal O Globo em 5 de junho de 2026, com informações de especialistas em infectologia e pneumologia, complementadas por orientações de órgãos de saúde nacionais e internacionais.
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