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Com área plantada de 2,9 milhões de hectares, a maior já registrada no Estado, expectativa é que a produção ultrapasse 21 milhões de toneladas somando as duas safras; produtores ampliam investimentos na cultura diante da maior estabilidade de mercado

O Paraná está prestes a alcançar um marco histórico no agronegócio. As projeções mais recentes do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apontam que o Estado registra em 2026 a maior área plantada de milho segunda safra, popularmente conhecida como milho safrinha, desde o início da série histórica. A estimativa é de que a cultura ocupe cerca de 2,9 milhões de hectares, consolidando um avanço significativo sobre áreas anteriormente destinadas a outras culturas, especialmente o trigo.


O desempenho reforça a importância do Paraná no cenário agrícola nacional. Tradicionalmente reconhecido como uma das maiores potências do agronegócio brasileiro, o Estado vem ampliando sua participação na produção de milho graças à combinação entre tecnologia, produtividade, capacidade logística e condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento da cultura.


Segundo os dados do Deral, a área cultivada na segunda safra cresceu cerca de 7% em relação ao ciclo anterior, alcançando um patamar sem precedentes. Caso as condições climáticas permaneçam favoráveis até o encerramento da colheita, a produção da safrinha poderá superar 17,5 milhões de toneladas. Somadas à produção da primeira safra, as lavouras paranaenses poderão ultrapassar a marca de 21 milhões de toneladas de milho em um único ciclo agrícola.


Produtores substituem trigo e ampliam aposta no milho

Uma das principais razões para o avanço da cultura está ligada à rentabilidade. Nos últimos anos, muitos produtores passaram a enxergar o milho como uma alternativa economicamente mais atrativa em comparação a outras culturas de inverno.


O trigo, por exemplo, enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à volatilidade de preços e à concorrência com o produto importado. Diante desse cenário, parte das áreas tradicionalmente ocupadas pelo cereal foi convertida para o plantio de milho safrinha, movimento que ajudou a impulsionar os números atuais.


Além disso, o milho vem apresentando maior estabilidade comercial em comparação à soja, fator que também influenciou a tomada de decisão dos agricultores. O cenário de preços mais previsíveis e a forte demanda interna contribuem para reduzir riscos e aumentar a confiança dos produtores no cultivo do cereal.


Primeira safra também apresentou crescimento expressivo

O avanço do milho não se limita apenas à segunda safra. O Paraná também registrou crescimento significativo na área cultivada durante a safra de verão.


Os levantamentos apontam que a primeira safra ocupou aproximadamente 364,9 mil hectares, contra 278,3 mil hectares registrados no ciclo anterior. O aumento de 31% demonstra que o cereal vem ganhando espaço em diferentes períodos do calendário agrícola estadual. A produção da primeira safra já superou 4 milhões de toneladas.


Especialistas destacam que a mudança reflete uma reavaliação estratégica dos agricultores diante das condições de mercado observadas nos últimos anos. A busca por culturas com maior previsibilidade de retorno financeiro tem levado muitos produtores a diversificar investimentos e ampliar a participação do milho em suas propriedades.


Milho movimenta cadeias fundamentais da economia paranaense

O impacto do milho vai muito além das lavouras. O cereal é considerado uma das principais bases da cadeia de proteína animal, setor em que o Paraná ocupa posição de destaque nacional.


A produção abastece granjas de aves, suínos e bovinos, servindo como componente essencial da ração animal. Como o Estado lidera a produção e exportação de carne de frango e figura entre os maiores produtores de carne suína do país, o crescimento da oferta de milho representa um fator estratégico para toda a economia regional.


A disponibilidade de matéria-prima em maior volume reduz custos logísticos, fortalece a competitividade das agroindústrias e contribui para a geração de emprego e renda em dezenas de municípios paranaenses.


No Oeste, Norte, Noroeste e Centro-Oeste do Estado, o milho já é uma das principais fontes de receita agrícola, movimentando cooperativas, transportadoras, armazéns, revendas de insumos e empresas ligadas à exportação.


Clima continua sendo fator decisivo

Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que o resultado final da safra ainda depende do comportamento climático nas próximas semanas.


O milho safrinha é cultivado em um período considerado mais sensível a fenômenos climáticos, especialmente geadas e estiagens. Embora eventos recentes tenham causado impactos pontuais em algumas áreas do Sul do Paraná, os técnicos do Deral avaliam que os danos observados até o momento não possuem relevância significativa para o desempenho geral da cultura.


A preocupação permanece voltada para a ocorrência de novas geadas durante a fase de enchimento dos grãos, considerada fundamental para a definição do potencial produtivo das lavouras.


Paraná consolida protagonismo nacional

Os números reforçam o protagonismo do Paraná na agricultura brasileira. O Estado já figura entre os maiores produtores de grãos do país e mantém posição de destaque em culturas como soja, milho, trigo, feijão e café.


O recorde na área destinada ao milho safrinha demonstra a capacidade de adaptação do setor agrícola paranaense diante das mudanças de mercado, das oscilações climáticas e das novas demandas da cadeia produtiva.


Com tecnologia cada vez mais presente no campo, produtores apostam em sementes de alto potencial produtivo, agricultura de precisão, manejo sustentável e monitoramento climático para buscar ganhos de produtividade e segurança nas lavouras.


Se as projeções se confirmarem, 2026 poderá entrar para a história como um dos anos mais importantes para a cultura do milho no Paraná, consolidando ainda mais o Estado como uma das principais forças do agronegócio brasileiro.


Fonte: Reportagem da Folha de Londrina, dados do Departamento de Economia Rural (Deral), Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Agência Estadual de Notícias do Paraná e Canal Rural.

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