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Um documento oficial da Secretaria Municipal de Saúde de Engenheiro Beltrão reforça a gravidade de uma denúncia que vem gerando revolta entre moradores do município e ampliando a sensação de desigualdade no acesso ao sistema público de saúde


A reportagem teve acesso ao comprovante que mostra que uma moradora está na fila para realização de exame de densitometria óssea desde o dia 02 de dezembro de 2025. Até a presente data, já são aproximadamente 145 dias de espera, sem qualquer retorno ou agendamento.


No próprio documento consta a orientação para que o paciente aguarde contato telefônico. Segundo a moradora, esse contato nunca foi realizado. A demora chama ainda mais atenção pelo tipo de exame solicitado. A densitometria óssea é considerada um procedimento simples, rápido e amplamente disponível, utilizado para diagnóstico e acompanhamento de doenças como a osteoporose. Trata-se de um exame de custo relativamente baixo quando comparado a outros procedimentos da área da saúde, o que reforça a indignação diante do longo tempo de espera.


A situação se torna ainda mais preocupante diante de outro relato da paciente, que afirma estar enfrentando dificuldades até mesmo para conseguir medicamentos de uso contínuo. Cardíaca, com colesterol e triglicérides elevados, ela recebeu prescrição médica para uso de atorvastatina e ezetimiba, medicamentos essenciais para o controle do seu quadro de saúde. No entanto, ao buscar o medicamento na rede pública, foi informada de que o remédio estaria em análise e indisponível.


Sem alternativa, a moradora procurou a assistência social, mas relata que também encontrou dificuldades no atendimento. Segundo ela, foi informada de que receberia ajuda apenas naquele mês e que, nas próximas vezes, teria que arcar com os custos por conta própria. Ainda de acordo com o relato, foi prometida a entrega do medicamento em sua residência no dia 22 de abril, o que até agora não ocorreu.


O caso não é isolado. Somente ao longo de todo o ano de 2025, diversas reclamações semelhantes já foram registradas por moradores, envolvendo demora excessiva para exames, dificuldades no acesso a consultas e falta de medicamentos básicos.


Esse cenário tem alimentado uma preocupação crescente entre a população: a de que o acesso à saúde pública não esteja ocorrendo de forma igual para todos.

Relatos apontam que, enquanto alguns pacientes conseguem atendimento com maior rapidez, outros, especialmente pessoas mais simples e sem qualquer tipo de influência, permanecem por meses aguardando na fila, muitas vezes com a saúde se agravando.


A situação foi mencionada inclusive na Câmara Municipal. Em sessão recente, um vereador afirmou que o cenário da saúde no município é estranho, ao relatar casos em que pacientes sem aparente urgência estariam realizando exames com rapidez, enquanto outros seguem aguardando por longos períodos. Diante disso, cresce o questionamento entre os moradores sobre quais critérios estão sendo adotados para definir quem é atendido primeiro.


Outro ponto que tem gerado comentários envolve o setor de agendamento, o que reforça a cobrança por mais transparência na condução dos atendimentos públicos. Entre moradores, surge inclusive a preocupação de que o sistema possa estar sendo utilizado de forma indevida, com possível direcionamento de atendimentos para atender interesses políticos, favorecendo pessoas com acesso ou influência junto ao setor. A hipótese, ainda que baseada em percepções e relatos, amplia a desconfiança da população e reforça a necessidade de critérios claros, públicos e iguais para todos.


Além disso, surge uma dúvida que tem sido levantada por moradores: como um exame simples e de custo acessível pode enfrentar tamanha demora, enquanto o município dispõe de receitas públicas significativas? Dados públicos indicam que, somente com arrecadação de ITBI, Engenheiro Beltrão já recebeu mais de 14 milhões de reais entre 2021 e 2025, sem considerar os repasses do Fundo de Participação dos Municípios, que também representam uma fonte relevante de recursos.


Diante desse cenário, a população passa a questionar de que forma os recursos públicos estão sendo aplicados, especialmente em uma área essencial como a saúde.


Por questão de segurança e para evitar qualquer tipo de represália, a identidade da moradora está sendo preservada. A redação optou por não divulgar nomes neste momento. No entanto, todas as conversas, documentos e comprovantes que sustentam o relato encontram-se em posse da equipe do Rota44.


Enquanto isso, a percepção que se espalha entre a população é preocupante: a de que, sem critérios claros e igualdade no atendimento, quem mais precisa pode acabar sendo justamente quem mais sofre com a demora.


Caso confirmadas, as situações relatadas podem representar violação de princípios fundamentais da administração pública, como a igualdade, a impessoalidade e a transparência.


A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde e da assistência social do município, para que esclareçam os fatos e apresentem à população informações claras sobre os critérios de atendimento e a gestão dos recursos públicos.


Até o momento, o que se vê é uma realidade que inquieta: pacientes aguardando há meses por exames simples, tratamentos sendo comprometidos e uma crescente desconfiança sobre a forma como o sistema de saúde está sendo conduzido no município.


Diante de tudo isso, a pergunta que permanece sem resposta é simples e ao mesmo tempo inquietante: até quando pacientes vão continuar esperando meses por exames básicos e medicamentos essenciais, enquanto cresce a desconfiança sobre a forma como a saúde pública está sendo conduzida no município?

Porque, no fim, não se trata apenas de números, protocolos ou filas.

Trata-se de pessoas.


Pessoas doentes, aguardando. Pessoas que dependem do sistema público. Pessoas que não têm alternativa.


E enquanto a espera se prolonga, o risco aumenta, o sofrimento se intensifica e a confiança da população segue sendo colocada à prova.


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