Atlas da Violência 2026 mostra redução de homicídios no Brasil, mas acende alerta sobre violência contra negros e mulheres

O Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que o Brasil registrou em 2024 o menor número de homicídios da série histórica recente. Apesar da redução geral, o levantamento revela que a violência continua atingindo de forma desproporcional a população negra e as mulheres.
Segundo o relatório, o país registrou oficialmente 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 mortes para cada 100 mil habitantes. O número representa continuidade da queda iniciada em 2018.
No entanto, os pesquisadores alertam para um problema preocupante: o crescimento das chamadas “Mortes Violentas por Causa Indeterminada” (MVCI), quando não é possível identificar oficialmente a motivação da morte. Em 2024, foram 17.207 casos desse tipo no país, um aumento de 23,8% em relação ao ano anterior.
O Atlas destaca ainda que a violência letal no Brasil possui forte desigualdade racial. Em 2024, 77% das vítimas de homicídio eram pessoas negras. Foram 32.820 homicídios de negros no país, o equivalente a quase 90 pessoas negras assassinadas por dia.
A taxa de homicídios entre negros chegou a 27,3 mortes por 100 mil habitantes, enquanto entre não negros ficou em 10,1 por 100 mil. Isso significa que o risco de um negro ser vítima de homicídio no Brasil é mais de 170% maior.
O estudo também chama atenção para a violência contra mulheres. Embora tenha havido redução nos homicídios femininos ao longo da última década, mulheres negras seguem sendo as principais vítimas. A taxa de mortes violentas entre mulheres negras é 66,7% superior à registrada entre mulheres não negras.
Outro dado preocupante envolve a violência doméstica. O relatório aponta que quase 80% das agressões contra mulheres ocorrem dentro da própria residência da vítima. Além disso, mais de 66% das mulheres atendidas relataram já ter sofrido episódios anteriores de violência.
Os pesquisadores afirmam que os números mostram a necessidade de fortalecimento de políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e melhoria na qualidade dos registros de violência no país.
Fonte: G1, Atlas da Violência 2026, Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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